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PLASTICO E PRESERVAÇÃO, UMA VISÃO CONJUNTA

Desde que se iniciou a onda de proibições ao comércio e distribuição de sacolinhas em supermercados, muito tem se discutido a respeito da importância do plástico no âmbito da preservação ambiental. De um dia para o outro ele se tornou um inimigo a ser combatido, e sua abolição encarada como uma vitória da natureza e dos humanos conscientes contra a fúria do desperdício e da inconsequência do consumismo.

O fato é que o plástico, ao contrário do que se imagina, é um dos maiores aliados que temos quando se trata de coexistir desenvolvimento com sustentabilidade. Uma das maiores qualidades desse material é que ele não é tóxico, portanto não representa um risco de contaminação ao solo e aos lençóis freáticos. É por isso que embalamos os produtos que consumimos nele. É por isso que nossas tubulações são feitas dele. É por isso que com ele fazemos seringas, próteses, sacos de soro fisiológico, entre outros produtos indispensáveis a vida humana. Ele pode ser enterrado e jogado ao mar, não causando qualquer tipo contaminação ambiental.

Outro mito muito difundido em relação a essa matéria prima é o problema de sua durabilidade. Os críticos do plástico afirmam que sua decomposição no ambiente é lenta e, dessa forma, danosa. Nada poderia ser mais falso. É exatamente nessa característica que reside outra qualidade que torna o plástico um item indispensável à sustentabilidade racional. Deve-se levar em conta também a capacidade desse produto em ser reaproveitado, não só dando vida a outros utilitários, como servindo inúmeras vezes para um mesmo propósito. Sacolas plásticas, por exemplo, além de recicláveis, são aproveitadas diversas vezes, em diversas ocasiões diferentes, antes do descarte. E como podemos observar, o descarte não é definitivo.

A tecnologia no desenvolvimento de novos tipos de polímeros, incluindo ai os biodegradáveis, produzidos por empresas que livremente buscam aperfeiçoar a funcionalidade, qualidade e aproveitamento de seus produtos, têm trazido mais ganhos ambientais e econômicos do que as legislações irracionais formuladas por burocratas. Quem quer restringir o comércio do plástico como forma de obter mais sustentabilidade, esquece que é o uso correto e racional do produto, com o desenvolvimento de novas tecnologias que o aprimorem, que surtirá efeito e não sua proibição e restrição por meio de canetadas.

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OS CONSELHOS BOLIVARIANOS E O GOVERNO DA RALÉ

Todos movimentos totalitários têm por obsessão a extinção ou esvaziamento do parlamento. Mussolini fechou o Parlamento em 08/12/28 e Hitler incendiou o “Reichstag” em 27/02/33. Todas doutrinas totalitárias usam os conselhos como método de superação (aufheben, na linguagem hegeliano-marxista) dos parlamentos. Tais conselhos estão descritos no “Mein Kampf” de Hitler e estavam no artigo 2º da Constituição da nefasta União Soviética. Para Hitler, o seu Estado Socialista não podia ter nenhuma instância de decisão por votos da maioria. Os Conselhos, dominados pelo seu partido socialista, tinham uma organização tal que o chefe, por ser a cabeça, sempre tinha a última palavra. A existência de um “Füher” (como na Alemanha Socialista), de um “Duce” (como na Itália Fascista) ou um “Comandante” (como em Cuba, Coréia do Norte e demais regimes comunistas) pressupõe o fim do Parlamento, pois este “guia”, que encarna o “espírito do povo”, não pode estar submisso a uma maioria parlamentar. Segundo Hitler, a autoridade do “guia” está fundada em um princípio de personalidade. 

Na Venezuela o Coronel Hugo Chávez Frías era chamando de comandante-em-chefe dos “conselhos comunais”, também chamados de “círculos bolivarianos”, que nasceram para fomentar a revolução e construir um novo modelo de “democracia participativa”. Adivinhem em que ele se inspirou? No “presupuesto participativo” que eu vou me abster de traduzir. 

Pois bem, no dia 23/05 nossa “comandanta-em-chefa” promulgou o Decreto n. 8.243 ( http://goo.gl/siBMNS ), uma aberração inconstitucional que institucionaliza uma casta de burocratas como nas oligarquias comunistas, que viola o princípio representativo e escarra no princípio da igualdade: “todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”, já diziam os porcos comunistas (por antonomásia) personagens de George Orwell.

Basta ler o Inciso primeiro do Art. 2o do Decreto para ver a pretensão totalitária de definir o que vem a ser “sociedade civil” sem defini-la, mas deixando uma cláusula geral para ser preenchida pelo “guia” de plantão. Aliás, essa foi a técnica jurisprudencial adotada pelo nazismo, de implantar a tirania sem mudar uma vírgula da lei, mas mudando apenas a interpretação das suas normas vagas. 

No decreto em questão, caberá ao governante, dizer o que vem a ser “sociedade civil” e lá cabe tudo: “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes  e suas organizações”.  É essa “sociedade civil” que irá compor os “conselhos de políticas públicas” que comandarão a administração pública direta e indireta. 

Se vingar o decreto, o Brasil ficará nas mãos dos comissários do povo independente do resultado das eleições e da composição do Congresso Nacional. É o esvaziamento ou a superação do parlamento por um sistema de controle dos ditos “movimentos sociais” dominados pelos mesmos, como sabemos. 

O tal “sistema de participação” é movimento totalitário puro e simples que se serve de uma ralé para se impor a partir da violência física e moral. Como ensina Hannah Arendt no seu “Origens do Totalitarismo” a ralé não é o povo, mas um grupo no qual são representadas todas as classes sociais. A principal diferença entre povo e ralé é que o povo luta por igualdade e por um sistema realmente representativo, a ralé luta pelo “homem forte”, pelo “grande líder”.  Mestre, essa Hannah Arendt. 

Pois bem, nos preparemos, pois o “fundo do poço” não existe, ele é apenas uma alegoria metafórica. Tudo sempre pode piorar, sobretudo com o toque do petismo, o “Rei Midas ao contrário”. Mantidos os conselhos bolivarianos no Brasil, meus amigos, a ralé nos governará. 

 

 

 

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HOJE É 31 DE MARÇO. ABAIXO À DITADURA! ABAIXO O TERRORISMO! VIVA A DEMOCRACIA!

Hoje é 31 de março, dia em que se relembra os 50 anos do movimento militar de 1964. Momento que eu não vivi, pois nasci em 1969 e minha primeira lembrança de política foi a campanha das “Diretas já”, na qual eu me engajei com ainda 13 anos. Desde sempre a democracia me arrebatou. Meus pais se admiravam pelas lágrimas que derramei por Tancredo Neves e de como acompanhei atento a posse de Sarney.

Winston Churcill afirma que “a democracia é o pior de todos os regimes com exceção de todos os outros” e Jacques Maritain ensina que, ainda que ela seja desastrosa, grosseira e capenga, ainda é o único caminho por onde pode passar as forças progressivas da humanidade.

Pois hoje é um dia para se refletir e muito para se lamentar, mas poderá ficar também marcado como um dia dedicado ao cinismo.

A história não tem sido contada como deveria, infelizmente. Durante décadas antes de 64 vários movimentos de esquerda se preparavam para uma luta por todos os meios para implantar o totalitarismo comunista no Brasil. Os ícones dessa turma eram sanguinários genocidas como Josef Stalin, Mao Tse Tung, Pol Pot e Fidel Castro, assassinos que mataram juntos mais de cem milhões de pessoas.

Hoje essa gente está por cima, governa o país e usa os crimes cometidos nos ditos “porões da ditatura” para esconder os seus próprios. A esquerda durante os “anos de chumbo” torturou, sequestrou, assaltou, explodiu corpos inocentes, assassinou muita gente e executou seus próprios companheiros. Ao todo cerca de 150 pessoas assassinadas, sem contar os mutilados e os inválidos.

Se tortura é crime hediondo, terrorismo também o é. Pouco se fala do esquartejamento do jovem João Pereira perpetrado pelo grupo do José Genoíno na frente dos próprios pais da vítima na guerrilha do Araguaia, ou do atentado terrorista  cometido pelo grupo armado da atual Presidente Dilma que estraçalhou o soldado do Exercido Mario Koesel Filho. Por que se apurar os crimes de apenas um dos lados do conflito?

Boa parte dos que pegaram em armas abjuraram, reconheceram que lutavam pelo totalitarismo e não pela democracia e assumiram ser um “cândido” erro da juventude. Não é o caso de Dilma, Genoíno ou Dirceu. José Dirceu, aliás, saúda Dilma como “companheira em armas”.

Tiveram a “paciência histórica” que ensina o marxismo e voltaram articulados pelo Foro de São Paulo (criado em 1990 por Lula e Fidel Castro para difundir a revolução na América Latina) fazendo desta vez a “revolução pacífica”, conforme a cartilha do comunista italiano Antonio Gramsci ou “revolução por cima”, que é como Tarso Genro denomina eleições democráticas.

Hoje o Brasil envia gás lacrimogênio para que Maduro continue massacrando o povo venezuelano, financia porto em Cuba e patrocina a tirania comunista cubana com milhões de dólares do “mais médicos”. Na politica externa, como se não bastasse adesão total ao lixo do “bolivarianismo”, flertamos com toda sorte de tiranos: Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong Un, Chavez, Fidel.

Sejamos francos, os que nos governam hoje não promoveram e não promovem a democracia. Antes, lutaram e lutam contra ela. Nossa democracia sofre ataques desde seu retorno na década de oitenta. No Rio Grande do Sul temos um governador que não respeita ordens judiciais, não está nem aí para a ordem pública e desmonta as estruturas internas da Brigada Militar para que ela se torne frágil e manipulável politicamente. Ah! Ele é aquele mesmo que, quando Ministro da Justiça, deu asilo ao companheiro de armas e assassino italiano Cesare Battisti.

Se engana quem pensa que eu me prestei a escrever para defender alguma ditadura. Tenho aversão a ditaduras, mas tenho mais ódio visceral dos totalitarismos. O cinismo também me enoja. Quando vejo terroristas posando de democratas meu estômago embrulha. Nossa democracia é jovem e indefesa como a democracia alemã da República de Weimar, nascida em 1919. Todos nós sabemos o que veio depois. Hitler foi o mestre de Gramsci. E dos dois vem as lições de como minar a democracia por dentro.

Nossas Instituições estão sendo paulatinamente tomadas e aparelhadas. É um fenômeno que Hannah Arendt descreveu como movimento totalitário. Mas isso pode ser tema para depois. Nosso tema de hoje é a democracia. A democracia é o único caminho, é o único remédio. Que lutemos por ela com todas as nossas forças, pois se ela soçobrar, naufragará com ela nossa liberdade e, aí, a nossa humanidade, pois a vida propriamente humana é a vida livre e a democracia é o único regime capaz de garantir que sejamos verdadeiramente humanos. 

 

 

 

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A AMIZADE CÍVICA E A CONCÓRDIA POLÍTICA

A cidade nasce da diversidade. Ela resulta da transformação da (pequena e simples) comunidade hegemônica da aldeia na (grande e complexa) sociedade plural dos interesses diversos. Tida pelos gregos como sociedade perfeita, nela se encontram os bens necessários à existência e à realização da felicidade de cada um. A cidade é a mãe da política, seja ela uma atividade, uma relação ou um ambiente. Esse ambiente, plural por natureza, do qual a cidade resulta é, desde os romanos, chamado de público e se contrapõe aos ambientes privados onde, em geral, impera a hegemonia.

A base profunda da cidade é um tipo de relação discreta que passa desapercebida, mas que gera a rede de conexões que a mantém viva: a amizade cívica.

Há quem pense que a política seja constituída do antagonismo entre amizade e inimizade, que a discordância e a oposição sejam fins em si mesmas e não meios necessários para expressar visões distintas sobre o bem comum e o amor de cada um pela cidade. É uma visão distorcida da política e do seu fim último que não é mostrar que esta ou aquela facção é dona da verdade, mas realizar o bem comum.

Esse bem comum é o objeto da fé cívica, uma fé laica promotora da unidade e da concórdia política, que crê em um ente real e que não busca um bem absoluto, mas um bem prático. É essa fé que constitui a amizade cívica que ocorre nos vários graus de intensidade a partir dos fins próprios de cada grupo social, restando para a política conduzir estes interesses particulares a um fim último comum. Assim, a tarefa propriamente política é a unidade e a concórdia da cidade. Sem um bem comum a cidade se dissolve na discórdia.

Essa amizade cívica, a qual excede ao privado e tem relevância pública, foi chamada pelos gregos de homonoia (concórdia). Ela é o acordo que envolve o empenho de todos na realização do bem comum.

Só os que amam a cidade são capazes de superar as diferenças e se unir em torno dela para o bem de todos que nela vivem.

Assim, para realizar seus fins, a cidade exige unidade em torno da fé cívica no bem comum, liberdade no pluralismo para discordar e se opor e, em tudo, amizade cívica e concórdia política para que ela seja um lugar de paz, prosperidade e realização da felicidade de todos e da cada um.

Quem é contra o bem comum, o pluralismo e a concórdia, é contra a cidade.

 

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